Guia · Prestação e custo do crédito

Quanto pago num crédito habitação de 100000 € em 2026?

Com uma TAN indicativa de 2,91%, 100 000 € de crédito correspondem aproximadamente a 417 €/mês a 30 anos, 380 €/mês a 35 anos e 353 €/mês a 40 anos. A prestação real depende da taxa aprovada e ainda tens seguros, impostos, comissões e custos da compra.

01417 € / mês100 000 € · 30 anos · TAN 2,91%
02Prazo muda tudoMenos prestação pode significar mais juros
03Há custos extraSeguros, imposto e formalização
04A taxa é decisiva3%, 4% ou 5% alteram muito a mensalidade
Atualizado: 16 de setembro de 2026Leitura: 27 min.Credalye · Simulação e custo
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GUIA CREDALYEImpostos da compra e impostos do empréstimo não são a mesma coisa — separá-los melhora o orçamento.
Credalye · PortugalNum crédito de 100 000 €, a prestação pode variar centenas de euros conforme taxa e prazo.

A mensalidade base é apenas capital e juros. Para saber quanto o crédito realmente custa, acrescenta seguros, imposto sobre a utilização do crédito, despesas de contratação e os impostos associados à compra do imóvel.

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Quanto se paga por 100 000 €

A resposta depende sobretudo da taxa de juro e do prazo. Usando como referência estatística a taxa de 2,910% observada pelo INE em julho de 2026 nos contratos celebrados nos três meses anteriores, um crédito habitação de 100 000 € teria uma prestação financeira aproximada de 417 € por mês a 30 anos, 380 € a 35 anos e 353 € a 40 anos. Estes valores representam apenas capital e juros numa simulação de prestações constantes. Não incluem seguro de vida, multirriscos, comissões, impostos nem produtos associados.

A diferença de prazo é importante porque uma mensalidade mais baixa não significa um empréstimo mais barato. Ao alongar o crédito, distribuis o capital por mais prestações, mas pagas juros durante mais tempo. Com a mesma TAN de 2,91%, a passagem de 20 para 40 anos reduz a mensalidade de cerca de 550 € para 353 €, mas os juros acumulados sobem de aproximadamente 32 mil € para 69 mil €. A decisão deve equilibrar conforto mensal e custo total.

A taxa de 2,910% não é uma oferta bancária nem uma promessa de preço. É um indicador recente publicado pelo INE para contratos celebrados nos três meses anteriores a julho de 2026. O Banco de Portugal e o INE mostram que as taxas variam com o momento de mercado e com a modalidade escolhida. A tua TAN pode ficar acima ou abaixo deste valor conforme spread, Euribor, taxa fixa, LTV, perfil de risco e política comercial do banco.

Em julho de 2026, o INE indicou uma taxa de juro implícita de 3,135% no conjunto dos contratos de crédito à habitação e uma taxa de 2,910% nos contratos celebrados nos três meses anteriores. Estes dois números medem universos diferentes. A primeira taxa reflete o stock de empréstimos existente; a segunda aproxima melhor o custo de operações recentes, embora não substitua uma proposta individual.

Os dados do Banco de Portugal relativos a novas operações também mostram que a taxa mista tem concentrado grande parte dos novos contratos em 2026. Isso significa que muitas famílias começam com um período de taxa fixa e passam depois para uma fase variável. Para um crédito de 100 000 €, não basta saber a taxa inicial: é preciso perceber durante quanto tempo ela se mantém e qual será a regra de cálculo da fase seguinte.

Quando comparares uma simulação, confirma a data da taxa, o indexante usado e se o spread apresentado está bonificado pela contratação de outros produtos. Uma diferença de algumas décimas na TAN altera a prestação e, ao longo de décadas, pode representar milhares de euros. O valor de 100 000 € é apenas o capital financiado; o preço final do empréstimo nasce da combinação entre capital, prazo e custo do dinheiro.

Prestação por prazo

A tabela seguinte responde diretamente à pesquisa quanto pago num crédito habitação de 100000, mantendo a TAN em 2,91% e alterando apenas o prazo. Serve para perceber a ordem de grandeza da prestação e como o prazo desloca custo do presente para o futuro.

PrazoPrestação mensalJuros totais aproximados
20 anos550 €32 025 €
25 anos470 €40 863 €
30 anos417 €50 036 €
35 anos380 €59 535 €
40 anos353 €69 352 €

Simulação matemática para 100 000 €, TAN constante de 2,91%, prestações mensais constantes e sem seguros, comissões ou impostos.

O prazo mais curto exige mais rendimento mensal disponível, mas reduz o tempo durante o qual os juros incidem sobre o capital. O prazo longo faz o contrário. Não existe um prazo universalmente melhor. Para uma família com rendimento confortável, reduzir anos pode gerar uma poupança importante em juros. Para quem precisa de maior folga mensal, um prazo superior pode ser necessário, desde que o custo acumulado e a idade no final do contrato continuem adequados.

A escolha do prazo também influencia a velocidade a que o capital em dívida diminui. Num prazo mais curto, uma parte maior da prestação tende a transformar-se em amortização de capital mais cedo. Num prazo longo, o saldo mantém-se elevado durante mais tempo. Esta diferença ganha importância se pensas vender a casa, transferir o crédito ou fazer amortizações alguns anos depois, porque o capital ainda em dívida condiciona a operação seguinte e o custo de qualquer reembolso antecipado.

Prestação por taxa de juro

A taxa é a variável que mais rapidamente altera a mensalidade sem mudar o capital. Mantendo 100 000 € de financiamento, uma TAN de 4% produz uma prestação a 30 anos próxima de 477 €, enquanto 5% aproxima a mensalidade de 537 €. O mesmo empréstimo pode, portanto, passar de uma prestação relativamente leve para um encargo muito mais exigente se a taxa subir.

TAN30 anos35 anos40 anos
2,91%417 €380 €353 €
3,00%422 €385 €358 €
4,00%477 €443 €418 €
5,00%537 €505 €482 €

Valores arredondados. A prestação real depende da taxa aprovada, prazo, modalidade de taxa e condições do contrato.

Em taxa variável ou na fase variável de uma taxa mista, esta sensibilidade é especialmente relevante. A prestação pode ser revista quando o indexante é atualizado, de acordo com as condições do contrato. Por isso, quem escolhe o prazo com base numa prestação inicial muito apertada fica mais exposto a uma subida posterior. A margem mensal deve ser suficiente para suportar variações razoáveis sem comprometer despesas essenciais.

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Como se forma a prestação

Numa estrutura de reembolso com prestações constantes, cada mensalidade contém uma parcela de juros e uma parcela de amortização de capital. No início do contrato, a dívida é maior e a componente de juros tende a representar uma parte superior da prestação. À medida que o capital diminui, cresce a parcela destinada a amortização. A prestação calculada a partir de TAN, capital e prazo não inclui automaticamente todos os outros custos ligados ao crédito.

No crédito habitação com taxa variável, o Banco de Portugal explica que a taxa resulta normalmente da soma entre um indexante, geralmente Euribor, e o spread do banco. A prestação é paga no final do período a que respeita e os juros são calculados sobre o capital em dívida. Num contrato de taxa fixa, a taxa definida mantém-se no período contratado; numa taxa mista, existe uma fase fixa e outra variável.

É esta mecânica que explica por que a mesma casa pode gerar mensalidades diferentes em bancos distintos. Mesmo com 100 000 € e o mesmo prazo, uma diferença no spread, na modalidade de taxa ou nos produtos exigidos altera o custo. Para uma comparação séria, é necessário olhar para a proposta completa e não apenas para o número da primeira prestação.

TAN, TAEG e MTIC

A TAN mede o custo dos juros e é a taxa usada para calcular a componente financeira da prestação. A TAEG é mais ampla: inclui juros e vários encargos obrigatórios associados ao crédito, como comissões, determinados seguros e despesas previstas nas regras de cálculo. O MTIC traduz o montante total imputado ao consumidor ao longo do contrato com base nos pressupostos da proposta.

Para saber quanto pagas por mês, a TAN e o prazo ajudam a calcular a prestação base. Para saber qual proposta é mais barata no conjunto, a TAEG e o MTIC são mais úteis. Dois bancos podem mostrar prestações semelhantes e ter custos totais diferentes porque um exige seguros mais caros, cobra determinadas comissões ou aplica condições distintas depois do período promocional.

A FINE deve reunir estes indicadores e permitir uma comparação normalizada. Quando analisares um crédito de 100 000 €, coloca lado a lado capital, prazo, TAN, TAEG, MTIC, seguros e produtos associados. A nossa guia sobre o que ter em atenção no crédito habitação aprofunda esta leitura.

Ao comparar TAEG, usa propostas com o mesmo prazo e a mesma modalidade de reembolso. Alterar o prazo pode melhorar artificialmente a aparência da prestação sem tornar o crédito mais barato. Também confirma que os custos incluídos são comparáveis e que os seguros utilizados no cálculo correspondem às condições efetivamente propostas. Uma diferença pequena de TAEG pode ser relevante num horizonte longo, mas deve ser interpretada juntamente com flexibilidade, regime de taxa e possibilidade de amortizar ou transferir.

Taxa fixa, variável ou mista

A modalidade da taxa determina como a prestação reage ao mercado. Na taxa fixa, o juro definido para o período permanece estável e dá maior previsibilidade. Na taxa variável, a TAN acompanha o indexante somado ao spread, pelo que a prestação pode subir ou descer nas revisões previstas. Na taxa mista, a operação começa com uma fase fixa e passa posteriormente para taxa variável.

Em 100 000 € de financiamento, pequenas mudanças tornam-se visíveis porque o capital é suficientemente elevado para amplificar diferenças de taxa ao longo do tempo. Uma proposta mista pode apresentar uma mensalidade inicial competitiva, mas tens de conhecer o spread e o indexante que entram depois. Uma taxa fixa pode custar mais no início, mas elimina o risco de revisão durante o período em que está contratada.

A escolha deve refletir tolerância ao risco, horizonte na casa e capacidade de absorver mudanças na prestação. Não existe uma modalidade que seja melhor para todas as famílias. A comparação correta usa o mesmo capital e um prazo equivalente, e verifica não só o preço inicial mas também as condições aplicáveis nas fases seguintes.

Euribor e spread

Quando o contrato é variável, a TAN resulta normalmente da Euribor correspondente ao prazo de referência do empréstimo acrescida do spread. O spread é a margem contratual do banco e pode depender de produtos ou condições de bonificação. A Euribor varia no mercado, enquanto o spread fica definido no contrato salvo alterações previstas ou renegociadas.

Uma descida do spread de algumas décimas reduz a mensalidade, mas a vantagem deve ser comparada com o custo dos produtos necessários para obtê-la. Se o banco exige seguro de vida, multirriscos, cartão ou outros serviços para manter o spread bonificado, o custo conjunto pode ser superior ao de uma proposta com spread nominalmente mais alto. É por isso que TAEG e MTIC são importantes.

A Euribor também pode mudar durante a vida do contrato. O valor usado numa revisão corresponde à regra prevista no empréstimo e não necessariamente à cotação observada no próprio dia. O Banco de Portugal explica que, nos contratos variáveis, é utilizada a média do indexante definida para o período de revisão. Antes de contratar, confirma periodicidade, prazo do indexante e datas de atualização.

Prazos máximos em 2026

Desde agosto de 2026, a recomendação macroprudencial do Banco de Portugal estabelece como referência um prazo máximo de 40 anos para clientes com idade igual ou inferior a 35 anos e 35 anos para clientes com mais de 35 anos. Os bancos podem aplicar limites internos mais curtos, especialmente quando a idade no final do contrato ou a previsibilidade de rendimento tornam um prazo longo menos adequado.

Esta alteração é relevante para a pesquisa de um crédito de 100 000 € porque o prazo influencia diretamente a prestação. Uma pessoa com acesso a 40 anos pode chegar a uma mensalidade inferior à de alguém cujo máximo prático fica nos 35 anos, mesmo com a mesma taxa. Essa diferença não significa que o prazo mais longo seja melhor: o custo total de juros cresce significativamente.

O prazo deve ser escolhido depois de testar o orçamento e o custo global. Se uma prestação só cabe com o prazo máximo e sem margem para subida de despesas, a operação pode estar demasiado apertada. A capacidade de pagar hoje e a capacidade de manter o pagamento ao longo de décadas devem ser analisadas em conjunto.

Quanto se paga de juros

Com TAN constante de 2,91%, financiar 100 000 € durante 30 anos gera cerca de 50 mil € de juros na matemática simplificada da prestação constante. A 35 anos, os juros aproximam-se de 59,5 mil €. A 40 anos, sobem para cerca de 69,4 mil €. Estes valores não incluem seguros, comissões ou impostos e partem da hipótese de a taxa não mudar durante todo o prazo.

Esta comparação mostra porque a prestação mensal não deve ser a única medida. A passagem de 30 para 40 anos reduz a mensalidade em cerca de 64 €, mas acrescenta aproximadamente 19 mil € de juros nesta simulação. O efeito real dependerá da taxa contratada e, se for variável ou mista, das taxas que vigorarem no futuro.

Se o orçamento permitir, reduzir prazo ou amortizar capital ao longo do contrato pode diminuir juros futuros. Antes de amortizar, verifica a comissão aplicável e garante que manténs uma reserva financeira adequada. Uma poupança de juros não compensa ficar sem liquidez para despesas essenciais ou imprevistos relacionados com a casa.

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PRAZOAlongar o contrato reduz a mensalidade, mas mantém os juros a incidir durante mais anos.

Seguros obrigatórios e associados

A prestação de capital e juros não é o único pagamento mensal ligado a um crédito habitação. Os bancos exigem normalmente seguro multirriscos sobre o imóvel e podem exigir seguro de vida no âmbito da operação ou associá-lo às condições comerciais. O custo depende da idade, capital seguro, coberturas, imóvel e seguradora, pelo que não existe um valor único que possa ser somado de forma correta a todos os créditos de 100 000 €.

O seguro de vida pode aumentar com a idade mesmo quando o capital em dívida diminui. Por isso, uma proposta que parece barata no primeiro ano deve ser analisada ao longo de um período maior. Confirma se o spread depende de contratar o seguro através de determinada entidade e qual o impacto de escolher outra seguradora. O objetivo é comparar o custo total, não apenas o prémio inicial.

No orçamento mensal, separa a prestação financeira do custo dos seguros para perceber quanto sai realmente da conta. A FINE deve ajudar a identificar encargos associados à proposta. Se comparares bancos, usa coberturas equivalentes; um seguro mais barato com proteção muito diferente não é uma comparação financeira completa.

Se o crédito tem dois titulares, o seguro de vida pode cobrir percentagens diferentes do capital para cada pessoa. Essa escolha altera o prémio e o nível de proteção do agregado. Num financiamento de 100 000 €, não basta pedir “quanto custa o seguro”; é necessário saber idade, cobertura, capital seguro e percentagem de cada titular. Quando comparares bancos, pede uma simulação de seguro coerente com a estrutura que realmente pretendes contratar para não subestimar o encargo mensal.

Custos iniciais do crédito

Num crédito habitação de 100 000 € com prazo igual ou superior a cinco anos, a Tabela Geral do Imposto do Selo prevê uma taxa de 0,60% sobre a utilização do crédito. Isso corresponde a 600 € sobre 100 000 €, salvo situações específicas de isenção previstas na lei. Este imposto pertence ao financiamento e é diferente do Imposto do Selo devido na aquisição do imóvel.

Além do imposto, podem existir comissão de avaliação, despesas de formalização, custos de registo da hipoteca e outros encargos previstos na proposta. A estrutura varia entre bancos e campanhas. Algumas instituições isentam determinadas comissões ou suportam parte dos custos, mas o benefício deve ser confirmado por escrito e refletido na TAEG.

Estes valores não aparecem na prestação mensal de capital e juros, mas fazem parte do dinheiro necessário para concluir a operação. Por isso, responder “quanto pago” exige separar três blocos: mensalidade do empréstimo, custos recorrentes como seguros e custos iniciais da contratação. Misturá-los numa única prestação pode esconder a necessidade real de liquidez no momento da compra.

Impostos da compra são separados

Pedir 100 000 € ao banco não permite calcular automaticamente o IMT e o Imposto do Selo da aquisição, porque esses impostos dependem do valor e das características da compra, não apenas do montante financiado. O preço do imóvel pode ser superior a 100 000 €, e a base tributável segue as regras fiscais aplicáveis à transmissão. Habitação própria permanente, localização, idade e benefícios legais podem alterar o resultado.

Por isso, o imposto do crédito de 600 € num financiamento de longo prazo não deve ser confundido com o Imposto do Selo de 0,8% associado à aquisição quando devido. O IMT utiliza escalões e regras próprias. Se existe um benefício como IMT Jovem, a situação também precisa de ser verificada separadamente.

A guia da Credalye sobre impostos no crédito habitação detalha esta separação. Para decidir se tens capital suficiente, soma entrada, impostos da compra, imposto do financiamento, formalização e uma reserva para despesas posteriores à escritura.

Entrada e LTV

Um crédito de 100 000 € não significa que possas comprar qualquer imóvel de 100 000 € sem capitais próprios. Para habitação própria e permanente, a recomendação macroprudencial utiliza, em regra, um LTV máximo de 90% sobre o menor valor entre preço de aquisição e avaliação. Isso significa que, fora de regimes específicos, um financiamento de 100 000 € exige normalmente um valor de imóvel superior ao capital emprestado e uma parcela de recursos próprios.

Se a avaliação do banco ficar abaixo do preço negociado, a necessidade de entrada aumenta. O banco calcula o financiamento sobre o valor relevante para o LTV e não tem de acompanhar o preço pedido pelo vendedor. Por essa razão, convém não usar toda a poupança apenas para o sinal antes de conhecer a margem disponível para uma eventual diferença de avaliação.

Existem regimes específicos, como a garantia pública para determinados jovens e primeiras habitações, que podem permitir estruturas diferentes quando são cumpridas as condições legais e bancárias. Mesmo nesses casos, a aprovação continua sujeita a solvabilidade e o maior financiamento aumenta o capital sobre o qual serão pagos juros.

O LTV também pode influenciar o preço oferecido pelo banco. Uma operação com maior margem entre valor do imóvel e montante financiado pode representar menor risco para a instituição e, em determinadas propostas, contribuir para condições comerciais diferentes. Não existe uma tabela universal que garanta um spread específico por LTV, mas vale a pena perceber se aumentar moderadamente a entrada melhora a proposta sem consumir a reserva de emergência. O objetivo é otimizar a estrutura do financiamento, não colocar toda a poupança na compra.

Rendimento e taxa de esforço

Desde agosto de 2026, o Banco de Portugal recomenda que o DSTI não ultrapasse, em regra, 45% do rendimento líquido quando a instituição avalia novos créditos. Num empréstimo de 100 000 €, a prestação entra nessa conta juntamente com outras prestações de crédito que já existam. O limite não é um salário mínimo necessário para obter aprovação; é uma referência prudencial integrada numa avaliação muito mais ampla.

Se usarmos apenas a matemática do rácio, uma prestação de 417 € corresponderia a 45% de cerca de 927 € de rendimento líquido mensal, enquanto 380 € corresponderiam a cerca de 844 €. Estes valores não representam rendimentos recomendados nem critérios de aprovação, porque não consideram outros créditos, despesas familiares, estabilidade profissional ou margem de segurança. Na prática, o banco pode exigir muito mais conforto financeiro.

Para a família, é mais prudente trabalhar abaixo do máximo e preservar rendimento residual depois de habitação e despesas essenciais. A nossa guia sobre taxa de esforço máxima para crédito habitação explica o DSTI e a diferença entre o limite prudencial e um orçamento realmente confortável.

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CAPITAIS PRÓPRIOSO montante financiado deve ser lido juntamente com a entrada, o LTV e o valor da avaliação do imóvel.

100 000 € de crédito e preço da casa

O capital do empréstimo e o preço da casa são números diferentes. Se o banco financia apenas uma percentagem do menor valor entre compra e avaliação, pedir 100 000 € significa que o imóvel terá de suportar esse montante dentro do LTV permitido. Para HPP, um LTV de 90% implicaria matematicamente um valor de referência mínimo próximo de 111 111 €, mas a instituição pode financiar uma percentagem inferior e cada operação depende da avaliação.

Também é possível que uma casa custe bastante mais e o comprador opte por pedir apenas 100 000 € porque tem maior entrada. Nesse caso, o LTV fica mais baixo e a posição de risco pode melhorar, embora isso não garanta um spread específico. O banco continua a olhar para rendimento, estabilidade e restantes responsabilidades.

Quando defines o orçamento de compra, começa pelo dinheiro que tens disponível e pela prestação que consegues suportar, e só depois deriva o preço máximo do imóvel. Fazer o caminho inverso — escolher primeiro a casa e tentar encaixar o financiamento depois — aumenta o risco de ficar dependente do prazo máximo ou de consumir toda a poupança.

Como comparar propostas de 100 000 €

Pede propostas com o mesmo capital, prazo e modalidade de reembolso. Se um banco apresenta 100 000 € a 30 anos e outro alonga para 35 anos, a prestação do segundo pode parecer melhor apenas porque o prazo é maior. Para comparar preço, mantém os pressupostos equivalentes e observa TAN, TAEG, MTIC, seguros, comissões e produtos associados.

Depois cria uma segunda comparação orientada para o teu objetivo. Se precisas de reduzir mensalidade, testa prazos diferentes e mede quanto aumenta o custo total. Se queres minimizar juros, testa prazos mais curtos e confirma se a taxa de esforço continua confortável. Se procuras estabilidade, compara taxa fixa ou mista sem ignorar o que acontece depois do período inicial.

A FINE é o documento central para esta análise. Guarda todas as versões recebidas e verifica se as condições aprovadas correspondem à simulação comercial. Um spread anunciado pode depender de produtos; uma taxa fixa pode vigorar apenas alguns anos; uma campanha pode ter custos fora da prestação. O melhor crédito é o que continua adequado depois de todas estas condições serem colocadas lado a lado.

Antes de escolher, transforma cada proposta num orçamento mensal completo. Soma prestação, seguro de vida, multirriscos, conta bancária e outros produtos que precisas de manter. Em paralelo, regista os custos iniciais e o MTIC. Esta dupla visão evita escolher um banco apenas porque a prestação é alguns euros inferior. Num contrato que pode durar três décadas, uma diferença pequena e recorrente nos produtos associados pode pesar tanto como uma diferença visível de spread.

Artigo e simulador têm funções diferentes

A pesquisa “quanto pago num crédito habitação de 100000” tem uma intenção de cálculo clara, mas nenhum artigo consegue substituir uma simulação com a tua taxa e prazo reais. O conteúdo serve para interpretar o resultado: perceber por que a prestação muda, quais custos ficam de fora e como prazo, taxa, seguros e entrada alteram a decisão. O simulador executa a matemática com os dados específicos.

O Banco de Portugal disponibiliza um simulador de crédito à habitação onde podes introduzir montante, prazo e TAN. A própria entidade alerta que a simulação não vincula as instituições e não substitui os cálculos efetuados pelo banco. Esta diferença é importante porque a proposta final inclui análise de risco e condições comerciais.

Usa uma simulação para testar intervalos e não para assumir que a aprovação está garantida. Depois confronta os valores com FINEs reais. Se a taxa muda, atualiza o cálculo; se a avaliação do imóvel altera o financiamento, atualiza o capital; se o prazo muda por causa da idade, volta a testar a prestação. Um bom planeamento mantém os números vivos até à aprovação final.

Depois de receber uma proposta aprovada, volta a simular usando a TAN, o prazo e o capital exatos da FINE. Se o resultado divergir do valor apresentado pelo banco, verifica se existem carências, diferimentos, fases de taxa diferentes ou outros elementos que expliquem a diferença. A simulação independente funciona como controlo de coerência e ajuda a perceber o contrato, mas a prestação vinculativa é a que resulta das condições formalmente aprovadas e da documentação contratual.

Checklist antes de pedir 100 000 €

Começa por definir se 100 000 € é o capital que precisas ou apenas um número aproximado. Confirma preço do imóvel, entrada disponível, avaliação esperada e custos iniciais. Depois escolhe um intervalo de prazo compatível com a idade e calcula a prestação com várias taxas. Não uses apenas uma taxa favorável; testa também uma subida suficiente para perceber se o orçamento continua resistente.

Quando receberes propostas, compara TAN, TAEG, MTIC, seguros, produtos associados, comissões e regime de taxa. Soma o imposto do crédito e os custos da compra numa folha separada. Mantém uma reserva depois da escritura e evita depender do limite máximo de taxa de esforço. Se 100 000 € só cabem num cenário muito apertado, reduz o preço-alvo ou aumenta os capitais próprios antes de assumir o contrato.

Como referência de mercado, a prestação de 100 000 € a 30 anos com TAN de 2,91% ronda 417 € por mês antes de custos acessórios. A 35 anos fica perto de 380 € e a 40 anos de 353 €. A tua resposta final deve vir da proposta aprovada pelo banco, porque é aí que ficam definidos taxa, prazo, seguros e todos os encargos que determinam quanto vais efetivamente pagar.

Guarda ainda uma margem para custos que não estão diretamente ligados ao banco. Depois da compra surgem mudanças, contratos de energia, condomínio, manutenção e necessidades da própria habitação. Um crédito de 100 000 € pode ser perfeitamente sustentável no papel e ainda assim deixar o orçamento demasiado apertado se toda a liquidez for usada na entrada e nos impostos. O valor certo de prestação é aquele que permite continuar a viver e poupar depois da escritura, não apenas aquele que o banco aceita financiar.

Perguntas frequentes

Perguntas frequentes sobre um crédito habitação de 100 000 €

Cinco respostas sobre prestação, salário, impostos, prazo e taxa de juro.

Quanto fica a prestação de 100 000 € a 30 anos?

Com TAN constante de 2,91%, a prestação financeira fica perto de 417 € por mês. O valor não inclui seguros, comissões, impostos nem outros produtos associados.

E a 40 anos quanto pago por mês?

Com a mesma TAN de 2,91%, a mensalidade ronda 353 €. O prazo mais longo reduz a prestação, mas aumenta o montante total de juros pagos ao longo do contrato.

Que salário é necessário para pedir 100 000 €?

Não existe um salário único. O banco considera prestação, outros créditos, rendimento líquido, estabilidade profissional e despesas. Desde agosto de 2026, o DSTI não deve ultrapassar, em regra, 45%, mas cumprir esse limite não garante aprovação.

Quanto é o Imposto do Selo sobre um crédito de 100 000 €?

Para utilização de crédito com prazo igual ou superior a cinco anos, a taxa geral é 0,60%, correspondendo a 600 € sobre 100 000 €, salvo isenções legalmente aplicáveis.

Uma TAN de 3% significa que a TAEG também é 3%?

Não. A TAN representa juros. A TAEG inclui a TAN e vários encargos obrigatórios associados ao crédito, por isso é normalmente superior e é mais adequada para comparar propostas com o mesmo prazo e estrutura.

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